04/11/2010 - 12h12
Sem reconhecer língua portuguesa, Microsoft Kinect chega ao Brasil neste mês a R$ 599
LUIZ GUSTAVO CRISTINO
DE SÃO PAULO
DE SÃO PAULO
A Microsoft do Brasil apresentou nesta quinta-feira (4), em entrevista coletiva à imprensa, seu novo acessório para Xbox 360, o Kinect, controle de videogame que funciona por meio de sensores de movimentos e voz. O produto estará disponível no dia 20 de novembro.
O preço do produto --que por enquanto só será capaz de reconhecer comandos de voz em inglês e espanhol-- será de R$ 599. Menus e legendas em português do Brasil já estarão disponíveis nos games compatíveis com o acessório.
![]() | ||
| Usuários experimentam Xbox 360, game com sistema Kinect na E3, principal evento de games do mundo, nos EUA |
No varejo, serão disponibilizados quatro games compatíveis com o novo acessório: Kinectimals, Kinect Sports, o simulador de corrida Kinect Joy Ride e o game de dança Dance Central, cada um vendido a R$ 149.
Famoso por ser o primeiro acessório para consoles da atual geração a dispensar completamente os controles, o Kinect foi desenvolvido por uma equipe da qual fez parte o brasileiro Alex Kipman.
O Kinect está disponível em vários países a partir de hoje, lançamento mundial do aparelho.
"Eu estava em Curitiba, onde nasci, quando percebi que estávamos começando a ficar escravos da tecnologia, e surgiu a ideia de abolir os botões e controles, para que a tecnologia passasse a nos entender, em vez de nós precisarmos entender a tecnologia", afirma Kipman, "pai" do projeto, que veio ao Brasil para apresentar o produto em seu lançamento mundial.
Kipman demonstrou o Kinect, que foi capaz de reconhecer seu rosto e, a partir daí, identificar seu login.
Todos os comandos e menus estão, literalmente, ao alcance das mãos. Controlando o cursor com movimentos, é possível fazer todas as escolhas e acessar os games. Também é possível fazer o mesmo apenas dizendo o nome do game, que é iniciado automaticamente devido ao recurso de reconhecimento de voz.
O recurso, aliás, também foi explorado na demonstração. Em Kinectimals, comandos como 'Jump' (pular) e 'Spin' (girar) foram reconhecidos pelo filhote de tigre virtual, mas não sei antes o jogador demonstrar --com o corpo-- o que significam esses comandos.
Segundo Guilherme Camargo, gerente de Xbox da Microsoft Brasil, o reconhecimento do português do Brasil está nos planos da empresa, mas ainda não há uma previsão de data. A companhia informa que, quando estiver disponível, o recurso será distribuído por meio de download de uma atualização do Xbox 360.
| Notas sobre Festa na cidade: o circuito bregueiro de Belém |
| Antonio Maurício Dias da Costa Belém: EDUEPA, 2009. 234 pp. Por Alexandre Barbosa Pereira Doutorando em Antropologia Social (USP) Em Festa na cidade, Antonio Maurício da Costa apresenta-nos os diferentes agentes que compõem o circuito do brega em Belém do Pará. Logo de início o autor alerta para o fato de que o brega no Pará tem outra designação, diferente da que é mais comum no restante do país, especialmente no sudeste. O Brega paraense não necessariamente se refere a músicas populares que abordariam temas românticos ou que remeteria ao que seria considerado mau gosto. No caso do brega paraense, ainda que contenha de modo acentuado este componente popular, o termo adquire outro significado, pois se trata de uma reinvenção local (ou seria uma invenção?) de um gênero musical e festivo.Costa tenta remontar, a partir do depoimento dos atores sociais, a gênese deste estilo musical. A partir dos relatos, ele demonstra como o brega paraense tem sua formação relacionada como uma série de outros gêneros musicais da Jovem Guarda ao Bolero, passando por ritmos caribenhos como a Cúmbia, o Merengue, o Zouk e o Calipso. Musicalmente, portanto, não é possível defini-lo, pois, além das múltiplas influências, o brega paraense também tem inúmeras variações mais dançantes como o tecnobrega ou mais românticas como o brega melody, além de outros estilos e denominações como o brega pop, o brega calypso e o flash brega, este último aludindo às músicas bregas antigas, tocadas em bailes da saudade. Porém, como destaca o autor, mais do que um estilo musical o brega belenense conforma-se, e só faz sentido, a partir da conjunção de uma série de outras dinâmicas, como a festa, a dança, as aparelhagens de som, o público etc.. Em seu trabalho de pesquisa, Costa demonstra como o modelo festivo já disposto na cidade contribuiu para a invenção de um brega regional, paraense. As casas de festas, as gafieiras ou os cabarés já existiam em Belém desde os anos 1960 e 1970, tocando merengues e boleros. O brega veio, portanto, de certa forma, ocupar este espaço, trazendo inovações. O autor leva-nos a percorrer as diferentes festas que compõem este circuito bregueiro. Apesar de concentradas nos bairros periféricos de Belém, as festas de brega alcançaram grande repercussão, sendo apontadas por muitos dos entrevistados como uma marca cultural da cidade. Curiosamente a principal novidade que este gênero musical e festivo apresenta não seria nem a música, nem a dança, mas o destaque alcançado pelas aparelhagens que tocam a música brega nas festas. Elas têm nomes próprios, como Tupinambá, Rubi ou PopSom e as maiores e mais famosas possuem até fãs-clubes, cujos integrantes frequentam as festas uniformizados com indumentárias estampadas com o nome da aparelhagem preferida. As aparelhagens circulam por Belém a tocar os últimos sucessos do brega em alto volume nos diferentes espaços festivos e seus fãs costumam acompanhá-las nos trajetos que fazem pelo circuito bregueiro. As festas de aparelhagem mobilizam uma parcela considerável dos jovens belenenses. Além da descrição etnográfica detalhada, o grande mérito da pesquisa de Costa é justamente demonstrar as particularidades das múltiplas relações que todos os agentes envolvidos com o brega articulam na cidade de Belém. O fenômeno cultural estudado pelo autor não mobiliza apenas as festas de aparelhagem e seu público, mas também os produtores fonográficos e as gravadoras, as rádios, os artistas e as festas tradicionais da cidade, como o Carnaval, a Festa de Nazaré e as Festas Juninas. O autor demonstra como esta rede de relações estabelecidas em torno do brega nem sempre é de conjunção e harmonia, havendo momentos de conflitos. As festas de aparelhagem, por exemplo, são muitas vezes rotuladas como espaços de violência devido à ocorrência de brigas. Por outro lado, o coletivo de agentes em torno do brega de Belém tem produzido novas possibilidades de interação entre a chamada indústria cultural com o público e os produtores culturais locais. Com o sucesso das aparelhagens, muitas vezes, os artistas do brega também precisam circular pelas festas para divulgar seus trabalhos, ainda que não seja para se apresentar. Em outras palavras, as aparelhagens tornam-se elas próprias as principais protagonistas, a atrair o público, dos espetáculos de brega. O livro Festa na cidade é uma adaptação da tese de doutorado de Antonio Maurício da Costa defendida em 2004 na Universidade de São Paulo. A primeira edição do livro ocorreu em 2007. Esta segunda edição, revisada e ampliada, certamente será de grande valia aos que se interessam por práticas culturais e de lazer no contexto urbano, por diferentes dinâmicas locais de transformação da indústria cultural e pelas inovações na produção, difusão e apropriação da cultura de massa |
CEM ANOS DE ASSEMBLEIA DE DEUS NO BRASIL
As Assembleias de Deus estão completando 100 anos no Brasil. Tudo começou com a vinda de dois missionários suecos que antes de chegarem ao Brasil visitaram o movimento de despertamento e avivamento espiritual da Rua Azuza em Los Angeles, EUA. Daniel Berg e Gunnar Vingren atenderam a chamada missionária ao receberem uma revelação de Deus acerca do Pará. Porém, ambos não sabiam onde ficava. Ao pesquisarem no mapa descobriram que se tratava da região norte de nosso país. Obedecendo ao “ide” chegaram a terras brasileiras em 19 de novembro de 1910.A princípio reuniram-se com as igrejas batistas aqui já instaladas, mas como traziam na bagagem a doutrina pentecostal do batismo no Espírito Santo com a evidência do falar em línguas e a atualidade da concessão de dons espirituais como nos tempos apostólicos, não demorou para que o Senhor Jesus começasse a batizar os membros daquela igreja que, não aceitando a nova doutrina, decidiram desligar da comunhão os crentes que se uniram aos missionários. Entre eles a irmã Celina Albuquerque, que na madrugada de 18 de junho de 1911 recebeu o batismo no Espírito Santo e falou em línguas conforme a promessa descrita no livro do profeta Joel 2 e seu cumprimento em Atos dos Apóstolos 2. Ela foi a primeira crente da igreja Batista de Belém a ser batizada. Logo outros foram batizados também. Um total de 19 membros deixou a igreja Batista em Belém do Pará para juntar-se aos missionários e fundarem em 18 de junho de 1911 a igreja Missão da Fé Apostólica.
Muitos estavam curiosos para conhecerem a nova doutrina. Houve rejeição por parte de alguns, mas muitos abraçaram a doutrina porque viam nas páginas da Bíblia a confirmação do que era pregado e ensinado pelos missionários estrangeiros. A essa altura as reuniões de oração que no início aconteciam na residência dos missionários, passaram à residência da irmã Celina de Albuquerque.
Reunidos na casa da irmã Celina, por sugestão de Gunnar Vingren, em 18 de janeiro de 1918, registrou-se a igreja Assembleia de Deus, nome que traz até hoje. Tendo origem no movimento pentecostal do início do século XX na América, as Assembleias de Deus do Brasil, cresceram nos moldes da igreja do Novo Testamento, onde os discípulos cheios do Espírito Santo levaram o Evangelho a todo o mundo.
Não muito tempo depois as Assembleias de Deus chegaram aos grandes centros urbanos das regiões Sul e Sudeste, como Porto Alegre, São Paulo e Belo Horizonte. Em 1922 chegou ao Rio de Janeiro, no bairro de São Cristóvão, e ganhou impulso com a transferência de Gunnar Vingren, de Belém, PA, em 1924, para a então capital da República.
Desde 1930, quando se realizou a primeira Convenção Geral dos pastores na cidade de Natal, RN, as Assembléias de Deus no Brasil passaram a ter autonomia interna, sendo administrada exclusivamente pelos pastores residentes no Brasil, sem, contudo perder os vínculos fraternais com a igreja na Suécia. A partir de 1936 a igreja passou a ter maior colaboração das Assembléias de Deus dos EUA através dos missionários enviados ao país, os quais se envolveram de forma mais direta com a estruturação teológica da denominação.
Em virtude de seu fenomenal crescimento, principalmente depois dos anos 90 com a criação e ação da chamada Década da Colheita, iniciativa das Assembléias de Deus, os pentecostais começaram a fazer diferença no cenário religioso brasileiro. De repente, as autoridades religiosas e seculares despertaram para uma possibilidade jamais imaginada: o Brasil poderia vir a tornar-se, no futuro, uma nação protestante. Tal possibilidade se tornou ainda mais real com a divulgação entre o final de 2006 e início de 2007 por um instituto de pesquisa de que, com vinte milhões de fiéis, o Brasil é o maior país pentecostal do mundo.
Atualmente os mesmos institutos de pesquisa apontam para uma mudança no perfil evangélico brasileiro em todos os setores da sociedade por conta da ação do Evangelho. As Assembleias de Deus estão hoje em todas as camadas da sociedade, inclusive com representantes na esfera política do Congresso Nacional. Como agente de mudança não somente espiritual, vê-se a igreja agindo em grande escala em trabalhos sociais de grande envergadura e empenhada a mudar a face do nosso país a partir do Evangelho de Jesus Cristo, tendo templos em quase todas as cidades brasileiras.
As Assembleias de Deus chegam ao seu centenário como uma igreja forte, crescente e saudável, mantendo a pureza da doutrina pentecostal e, desafiando os especialistas em crescimento de igreja, continua expandindo-se desta feita para além das fronteiras, realizando um extraordinário trabalho missionário, tendo obreiros em quase todos os países do globo.
A Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), presidida pelo Pr. José Wellington Bezerra da Costa, vem realizando no centenário das Assembleias de Deus solenidades cúlticas em todas regiões do Brasil, preparando e conscientizando seus membros acerca importância da chegada dos missionários e da preservação da doutrina pentecostal em solo brasileiro.
http://assembleia.org.br/site/100-anos-das-assembleias-de-deus-no-brasil/
Dicionário Papachibé – A Língua Paraense Vol. III
13 set
Dicionário Papachibé – A Língua Paraense Vol. III Autor: Raymundo Mário Sobral

O jornalista Raymundo Mário Sobral vai lançar o volume 3 do Dicionário Papachibé nesta terça-feira (13), na sede social da Assembléia Paraense, numa noite de autógrafos. Este novo volume do livro da Língua Paraense reúne cerca de 300 verbetes inéditos, valendo dizer que cada verbete vem acompanhado de uma piada explicativa.
A capa do livro é de autoria do cartunista J. Bosco e o prefácio escrito pelo professor Meirevaldo Paiva. Após a noite de autógrafos, o livro estará à disposição dos leitores nos stands da Feira Pan-Amazônica do Livro e, posteriormente, nas principais livrarias de Belém.
O dicionário é um exemplo delicioso do jeito de falar paraense. Além de ser um registro da nossa cultura. Um livro para aprender e se divertir! Você sabe, por exemplo, o que quer dizer ‘Abrir o fora’, ‘Malacafento’ e ‘Xenxém’. As definições estão no novo livro de Sobral, mas você confere, em primeira mão, aqui no Portal ORM:
Abrir o fora – Uma velha expressão papachibé que era muito usada pelos mais antigos e que tem o mesmo significado de criticar, destratar, esculhambar com alguém.
EXEMPLO: O maridão chegou em casa altas horas da noite completamente mamado e a patroa que viu tudo, assim que amanhece o dia manda brasa no pilantra.
- Tu já começou a festejar o Ano Novo desde ontem, hein, cachorrão? Chegaste completamente bêbado!- Calma, meu anjo, não precisa ABRIR O FORA comigo, não. Eu cheguei bonzinho da silva.- Tu chegou foi muito coçado, ó porrista sem-vergonha!- Olha aqui, querida, eu tava tão sóbrio que fui à cozinha e fiz um refresco antes de me deitar.- Que refresco tu fez, palhaço?- Eu fiz uma limonada.- Limonada, é? E precisava espremer o canário???
Malacafento – No dialeto parauara o termo tem o mesmo significado de deplorável, abjeto, repulsivo.
EXEMPLO: O camarada adentra numa loja de móveis e solicita ao vendedor:
- Amigo, você teria por aí um guarda-roupa com uma porta a mais do que o habitual?O vendedor cheio de mesuras e gentilezas:- Captei, chefia, o senhor quer um guarda-roupa maior porque deve ter muita roupa para agasalhar, certo?- Nada disso, cara. É para aquele MALACAFENTO do Ricardão não amassar as minhas camisas!
Xenxém – No dialeto caboquês vem a ser algo muito ruim, de qualidade inferior, ordinário.
EXEMPLO: Casal de velhinhos está em suas cadeiras de balanço na varanda do asilo. De repente, a velhinha levanta-se e – crau! – sapeca um tabefe na cara do marido e volta para cadeira de balanço. O velhinho perplexo:- Égua, o que foi isso já, criatura?- Isso foi por conta de 35 anos de sexo XENXÉM, cachorrão!E os velhinhos continuam no doce balanço. Daí a pouquinho quem levanta é o marido que vai até a velhinha lhe aplica uma violenta bofetada e vocifera:- Isso, é por você saber a diferença!!!
Fonte: www.orm.com.br/livros/ – Jornal O Liberal –
BIOGRAFIA DE MARCELO D2
Marcelo D2 nasceu em 5 de novembro de 1967, na zona norte do Rio de Janeiro. Carioca da gema quente dos bairros dos vales da cidade, escondido dos cartões postais e longe das calçadas ricas da beira-mar. Moleque ativo criado entre o morro e o asfalto do Andaraí, transitando na linha fina que separa um garoto de cair na marginalidade.
Trabalhando e se virando desde os 13 anos, D2 é um daqueles casos de menino que nasce com uma estrela latejante de talento e sagacidade. Foi porteiro, camelô, faxineiro, entregador de jornais, vendedor de móveis, office boy. Vivia onde podia, como podia e ia levando. Todo sinal de fracasso revertido em sucesso em dobro.
Sair de casa cedo o manteve circulando. Seus amigos de infância que ficaram no mesmo bairro acabaram sendo consumidos pelo tráfico de drogas e pouco a pouco D2 perdeu grandes amigos em confrontos armados. Serviu ao exército e logo após foi morar com sua namorada, aos 19 anos.
As convivências diversas que teve durante os anos de adolescência e juventude frutificaram numa ampla influência de ritmos e estilos musicais, que mais tarde tornaram-se evidentes em suas músicas.
O Planet Hemp teve seu embrião plantado nas ruas do Catete, no encontro casual entre D2 e Skunk no início dos anos 90. D2 usava uma camiseta do Dead Kennedys que foi a responsável pelo início da conversa entre os dois. Skate, punk rock, underground, maconha e atitude, muita atitude. O nome da banda foi tirado da revista americana High Times, especializada em cannabicultura. Mais tarde, se juntaram a Skunk e D2, Rafael (guitarra), Formigão (baixo) e Bacalhau (bateria). Com a morte de Skunk, D2 não quis encerrar a banda chamou companheiros seus das noites e shows cariocas para dividir os vocais e entraram na banda Black Alien e B Negão. O começo oficial da banda foi em 1994. E em 1995 lançaram o primeiro disco, Usuário que sozinho vendeu mais de meio milhão de discos. Os álbuns seguintes Os Cães ladram mas a Caravana não Pára (1997), A invasão do Sagaz Homem Fumaça" (2000) e MTV Ao Vivo Planer Hemp (2001) receberam o título de disco de platina e juntos venderam quase dois milhões de cópias.
Planet Hemp teve uma carreira sólida e bombástica e eles se apresentaram para platéias de todo o Brasil e ainda passaram pela Europa, Japão e Estados Unidos. Como um dos líderes e fundadores da banda, D2 inaugurou no país um rock contestador, pesado e rico em influências, que terminou de vez com o rock comportado dos anos 80 e atualizou o país no cenário internacional.
Com o término da banda, D2 sentiu que era hora de buscar seu caminho em busca de seu próprio som. Ele já havia dado seus primeiros passos nessa direção com o lançamento de seu primeiro disco solo, Eu Tiro É Onda (1998). No disco ele colocou letras que falam sobre sua experiência de vida sobre uma cama musical essencialmente de hip hop, mas com um tempero de samba e malandragem. O sucesso do disco imediato e as vendagens ultrapassaram 150 mil cópias.
No disco seguinte, À Procura da Batida Perfeita (2003), D2 se estabeleceu definitivamente como o artista renovador da música brasileira. Ganhou todos os prêmios aos quais foi indicado, inclusive como melhor letrista de 2004 pela Academia Brasileira de Letras. O disco teve lançamento na Europa, Estados Unidos e Ásia e por causa dele D2 fez cinco turnês na Europa se apresentando nos maiores festivais do continente, como o Womex, Montreux, Roskilde e Reading, e em casas de show tradicionais como o Cite de La Musique (Paris). O álbum também rendeu um DVD com os clipes de seus singles e um documentário sobre a pesquisa e composição do disco. DVD de ouro, disco de ouro e sucesso incontestável.
O álbum ainda faturou muitos prêmios. Só no Prêmio TIM de Música, herdeiro do extinto Prêmio Sharp, D2 saiu com três troféus: melhor canção (A procura...), melhor disco pop/rock e melhor cantor pelo voto popular. No VMB da MTV mais três: melhor videoclipe do ano, melhor videoclipe de rap e melhor direção. Abiscoitou ainda o prêmio de melhor CD do ano no Prêmio Multishow.
Em 2004 ele pegou suas próprias músicas e desconstruiu beat e batucada e colocou uma banda de 23 músicos no palco. Uma orquestra para desplugar o hip hop, que por ter nascido plugado em pickups e samples foi reinventado ao renascer nas idéias de D2. Ele lançou então o Acústico MTV Marcelo D2, com uma coletânea de seus sucessos dos discos anteriores em versões acústicas.
Ao vivo e com muita percussão e uma banda afinada, D2 deu uma sonoridade ainda mais contagiante para suas músicas. A banda saiu em turnê e nas andanças pelo mundo e pelo Brasil D2 foi reunindo o material para seu mais recente lançamento.
Seu terceiro disco solo é Meu Samba é Assim. Nele, D2 traz música com a sua cara nas 15 faixas inéditas. Durante meses, D2 recebeu uma quantidade enorme de bases de diferentes DJs de todo o país que se transformaram em seu disco mais elaborado, com sua mistura característica de samba e hip hop com a elegância do malandro e a sagacidade do mano. Nele participam estrelas de ambos os mundos que ele transita como Zeca Pagodinho, Alcione e Arlindo Cruz do Samba e Charli Tuna e Marechal do Rap. O disco foi lançado em Maio de 2006 e desde sua finalização em janeiro a expectativa da crítica e dos fãs já era grande. Em junho o disco já foi lançado também em Portugal e os demais países da Europa lançam o disco durante o verão europeu.
Logo após o lançamento, D2 embarcou em uma turnê de dois meses pela Europa durante a Copa do Mundo. Essa turnê é a maior de um artista brasileiro na Europa e Estados Unidos até hoje. Nela D2 se apresentou em festivais renomados como Montreux, na Suíça, Roskilde na Dinamarca, Womex na Inglaterra e ainda se apresentou para 15 mil pessoas em Los Angeles, no tradicional Hollywood Bowl.
http://blogs.myspace.com/index.cfm?fuseaction=blog.view&friendId=31376245&blogId=149286488
| 01/05/2007 |
A certidão de nascimento do samba: redescoberta na Biblioteca Nacional a partitura de Pelo Telefone 
Depois de passar trinta anos perdida no meio de outros arquivos, finalmente foi redescoberta aquela que seria, ao que tudo indica, uma das certidões de nascimento do samba. Trata-se da partitura de “Pelo Telefone”, recentemente achada pela pesquisadora Susana Martins, quando trabalhava no inventário dos arquivos da Divisão de Música da Biblioteca Nacional. Este foi o primeiro samba registrado e gravado assumidamente como samba. Assim atesta a folha de abertura do documento, onde se lê: “Pelo Telephone – Samba Carnavalesco”. Parece pouco, mas era muito, numa época em que o samba definitivamente não era visto com bons olhos – “música barata sem nenhum valor”, como bem diz a música de Janet Silva e Haroldo Barbosa.
A partitura, assinada por Ernesto dos Santos, vulgo Donga, é dedicada “aos carnavalescos Peru e Morcego”. Peru era o apelido de repórter Mauro de Almeida que, dizem, foi co-autor da letra do samba – embora não o tenha assinado. Além de ter sido o primeiro samba a ser registrado e gravado com tal, Pelo Telefone marcou a história por ter sido também o primeiro samba a lograr um grande sucesso popular. Agitou o carnaval de 1917, e foi tão espetacular o seu êxito que várias paródias logo foram criadas, e este virou até anúncio da cerveja Fidalga, publicado em diversos jornais.
Segundo a Enciclopédia da Música Brasileira, a partitura do registro de Pelo Telefone, que data 1 de novembro de 1916, teria sido escrita por Pixinguinha. Um exame comparativo da caligrafia musical de Pixinguinha – que, diga-se de passagem, era duma exuberante beleza plástica – poderá mostrar, contudo, que, se todo o folclore em torno da composição registrada por Donga aponta para incertezas quanto à autoria desta – Baiano, Tia Ciata e até Sinhô a reclamaram-, tampouco a partitura fica a salvo delas: “Há uma pequena dúvida nesse aspecto, pois o desenho da clave de sol do Pixinguinha em outros registros seus é um pouco diferente deste”, destaca Adeilton Bairral, coordenador técnico da Divisão de Música da Biblioteca Nacional.
Agora que foi finalmente localizado, o que se pretende é fazer uma boa limpeza na partitura – escrita para o piano, ainda que a música tenha sido composta, ao que tudo indica, com base no violão, o instrumento tocado por Donga. Depois de limpo e restaurado, o documento será digitalizado para, então, ficar disponível a todos os pesquisadores e curiosos no site da BN.
Se a partitura não ajuda a elucidar o famigerado mistério da autoria do “primeiro samba”, pelo menos fornece um retrato da infância do principal gênero musical brasileiro. Ainda não se sabe direito quem foi o pai, mas a certidão de nascimento já foi reencontrada... e, ao que tudo indica, o tabelião foi o maioral Pixinguinha.
http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=598

Nenhum comentário:
Postar um comentário