ALVITO, Marcos. Um bicho-de-sete-cabeças. In: Um século de favela. Rio de Janeiro:FGV, 1998.
Marcos Alvito é mestre em História Social das Ideias, pela Universidade Federal Fluminense, e doutor em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo. Possui uma excelente postura ao falar das favelas do Rio de Janeiro, inclusive do comportamento de seus moradores e das relações que eles possuem com os mais variados temas.
O artigo “Um bicho-de-sete-cabeças”, presente no livro Um século de favela, é uma experiência que o autor viveu durante um tempo na favela do Acari, região norte do Rio de Janeiro. Nesse texto, o autor tem como foco os estudos da honra, hierarquia e reciprocidade, esta última sendo considerada como um objetivo a ser seguido.
De fato, Alvito expõe de uma forma muito tranquila a vida cotidiana de algumas pessoas da favela e deixa bem claro que a favela não existe. O que ele quer dizer é que o Acari possui três favelas diferentes, cada uma com seu nome e características. Mostra que o termo “complexo do Acari” não é aceito entre as pessoas, uma vez que complexo deriva de um vocábulo penal.
O texto se divide em dois subtemas, nos quais são relatadas algumas situações bem características das favelas do Rio de Janeiro, mas que podem ser comparadas à vida de qualquer outra pessoa, em qualquer outra periferia do Brasil ou quem sabe do mundo. A falta de dinheiro, de emprego, de infraestrutura, de projetos educacionais, são algumas das realidades de centenas de milhares de pessoas. Há também a violência crescente que ocorre principalmente pelo aumento do tráfico de drogas.
A favela do Acari ou Complexo do Acari tornou- se “famosa” na mídia logo após algumas descobertas sobre o tráfico de cocaína, feiras que vendas produtos roubados e mães em busca de justiça. Em 1996, a favela foi invadida pela polícia, mas o que poderia ser uma solução para os moradores, acabou se tornando um prejuízo, uma vez que o tráfico praticamente sustentava a economia do lugar. O comércio foi totalmente abalado e os comerciantes perderam boa parte de sua renda. De uma forma ou de outra, as pessoas estão ligadas ao tráfico.
O autor não deixa de abordar questões sobre a vida dentro da favela, o comportamento de crianças, de jovens e adultos, cita alguns elementos na linguagem desses lugares e mostra como a reciprocidade é atingida numa região que, aos olhos de quem está de fora, acredita ser apenas de guerras entre policiais e traficantes.
Não há como negar que o texto é muito interessante e real. Para quem está acostumado aos filmes brasileiros que retratam as favelas do Rio de Janeiro, ler este texto vai trazer uma breve, porém intensa reflexão de que o que existe dentro desses lugares são seres humanos como outros quaisquer, que possuem honra, que têm lá a sua hierarquia e que são sempre pessoas recíprocas. Alvito afirma, na conclusão do texto, que muitos estudos são necessários para apagar a visão dos moradores da favela de que ela não é um “bicho-de-sete-cabeças”, mas também deveria existir outro estudo que pudesse desmistificar tal conceito na cabeça de quem não mora na favela.
Por Renata Lima Vieira, aluna do curso de Letras/ Habilitação Língua Francesa da UFPA.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
caçador de pipas
autor: Khaled Hosseini.
postado por: lorena andrews
O caçador de pipas, de Khaled Hosseini,conta a história de Amir, um garoto rico de Cabul, no afeganistão, que é atormentado pela culpa de ter traído seu criado e melhor amigo, Hassan, filho de Ali, também empregado do seu pai.
A história tem como cenário uma série de acontecimentos políticos tumultuosos, que começa com a queda da monarquia do Afeganistão em Julho de 1973, a deposição do rei Zahir Shah, o golpe de estado comunista na União Soviética, em Dezembro de 1979, a consequente massa de emigrantes refugiados para o Paquistão e para os EUA e a implantação do regime militar pelos Talibãs.
Em um Afeganistão bem diferente do de hoje, Amir é um menino tímido, que gosta de escrever histórias e foge de encrencas. Seu melhor e único amigo é Hassan, filho do empregado de seu pai, que o protege e lhe dedica idolatria total.
O passatempo preferido da dupla é empinar pipas, e Hassan tem um dom especial para encontrá-las, quando cortadas, antes das outras crianças. Enquanto uma dúzia de garotos corre pelas ruas de Cabul seguindo as pipas coloridas, Hassan já sabe exatamente onde cada uma delas cairá. E lá aguarda, confiante. Mas é justamente em um torneio de pipas que a amizade dos dois toma um rumo diferente. Hassan vai sozinho atrás de uma pipa e acaba sendo encurralado por meninos que, por preconceito com sua etnia hazarae, o violentam.
Amir assiste a tudo, escondido e com medo de intervir. Só que, mais tarde, passa a ser torturado pela culpa e pelo arrependimento e não tolera mais a presença do amigo.
Os dois se afastam, magoados, mas têm de enfrentar problemas mais graves quando a União Soviética invade o Afeganistão e, depois, quando o Talibã domina o país. Amir e seu pai são obrigados a fugir do país e a reconstruir a vida como refugiados nos Estados Unidos.
Já adulto, Amir faz faculdade e se apaixona. Porém, a vida, que parecia ter ficado na calmaria, muda novamente de rumos, a partir do momento em que ele decide voltar a Cabul para encarar seu passado.
Entretanto, o filme não consegue passar ao telespectador a mesma sensibilidade que o livro tem, pois não chega a atingir o mesmo nível dramático deste último.
Na transposição da história escrita para as telas, foram cortadas passagens de tempo e muitas cenas como aquela do dia do aniversário de Hassan. No livro, ele ganha do babá de Amir uma cirurgia para operar seus lábios leporinos; e, no filme, um estilingue.
No final de tudo, Amir Jan se reencontra com seu passado, tendo que mostrar que se arrependeu e concertar tudo para que possa viver em paz.
Este filme trata de família, amizade e, acima de tudo, redenção. Amir Jan terá que provar seu arrependimento, resgatando das mão de Assef (maior inimigo de Amir), protagonista anti-herói, o filho de seu melhor amigo e irmão, seu sobrinho. E terá que dizer "por você, faria isso mil vezes".
Apesar de toda a poesia e da visão idealizada apresentadas no filme, nada impede que tenhamos um posicionamento crítico sobre a cultura e história de Cabul e do Afeganistão. O caçador de pipas problematiza questões históricas e culturais presentes no romance original.
Em um Afeganistão bem diferente do de hoje, Amir é um menino tímido, que gosta de escrever histórias e foge de encrencas. Seu melhor e único amigo é Hassan, filho do empregado de seu pai, que o protege e lhe dedica idolatria total.
O passatempo preferido da dupla é empinar pipas, e Hassan tem um dom especial para encontrá-las, quando cortadas, antes das outras crianças. Enquanto uma dúzia de garotos corre pelas ruas de Cabul seguindo as pipas coloridas, Hassan já sabe exatamente onde cada uma delas cairá. E lá aguarda, confiante. Mas é justamente em um torneio de pipas que a amizade dos dois toma um rumo diferente. Hassan vai sozinho atrás de uma pipa e acaba sendo encurralado por meninos que, por preconceito com sua etnia hazarae, o violentam.
Amir assiste a tudo, escondido e com medo de intervir. Só que, mais tarde, passa a ser torturado pela culpa e pelo arrependimento e não tolera mais a presença do amigo.
Os dois se afastam, magoados, mas têm de enfrentar problemas mais graves quando a União Soviética invade o Afeganistão e, depois, quando o Talibã domina o país. Amir e seu pai são obrigados a fugir do país e a reconstruir a vida como refugiados nos Estados Unidos.
Já adulto, Amir faz faculdade e se apaixona. Porém, a vida, que parecia ter ficado na calmaria, muda novamente de rumos, a partir do momento em que ele decide voltar a Cabul para encarar seu passado.
Entretanto, o filme não consegue passar ao telespectador a mesma sensibilidade que o livro tem, pois não chega a atingir o mesmo nível dramático deste último.
Na transposição da história escrita para as telas, foram cortadas passagens de tempo e muitas cenas como aquela do dia do aniversário de Hassan. No livro, ele ganha do babá de Amir uma cirurgia para operar seus lábios leporinos; e, no filme, um estilingue.
No final de tudo, Amir Jan se reencontra com seu passado, tendo que mostrar que se arrependeu e concertar tudo para que possa viver em paz.
Este filme trata de família, amizade e, acima de tudo, redenção. Amir Jan terá que provar seu arrependimento, resgatando das mão de Assef (maior inimigo de Amir), protagonista anti-herói, o filho de seu melhor amigo e irmão, seu sobrinho. E terá que dizer "por você, faria isso mil vezes".
Apesar de toda a poesia e da visão idealizada apresentadas no filme, nada impede que tenhamos um posicionamento crítico sobre a cultura e história de Cabul e do Afeganistão. O caçador de pipas problematiza questões históricas e culturais presentes no romance original.
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