Renata Lima Vieira*
Discute-se muito à respeito dos efeitos especiais,da alta tecnologia e da animação gráfica que agora consegue ‘’transmitir ‘’ emoções; alguns (poucos) comentam sobre o olhar do diretor James Cameron para a ecologia (com mais intensidade depois que Cameron veio ao Brasil participar da manifestação contra a Hidrelétrica de Belo Monte) já que o romance acontece em meios aos conflitos de interesse pelos minérios raros de Pandora e não importa quantos nativos morram ou sua fauna e flora venham ao chão, desde que a finalidade econômica prevaleça; não deixa de ser uma boa alusão ao nosso comportamento ''desinteressado'' pela natureza , mas além disso, além do espetáculo de cores e um romance proibido, misto de Romeo e Julieta, passando por Pocahontas e até mesmo trazendo lembranças de Rose e Jack (casal do filme Titanic, mesmo diretor de Avatar), carrega simbolismos e reflexões não comentados pela mídia e com certeza desapercebidos pelos seus telespectadores.
Por exemplo, o significado do título do filme.
O termo Avatar ficou conhecido na década de 80 devido às figuras criadas à imagem e semelhança do usuário no interior das telas de computador.
O que não deixa de acontecer no filme: Sully, um soldado paraplégico que através de experiências científicas, se personaliza num na´vi (nativo de Pandora) para trazer informações sobre localização do minério.
Porém, a palavra avatar, deriva do sânscrito e quer dizer encarnação. A personalização de um espírito divino em corpo de carne, segundo a religião hindu.
Sully é reconhecido pelos espíritos da floresta como o retorno de um guerreiro, ou seja, uma (re)encarnação, a manifestação divina espiritual num corpo material. Mais evidente no final do filme quando o corpo de Sully está morto e seu espírito encarna na pele do na´vi, após se tornar um herói (um deus).
O avatar mais popular na religião hindu é Krishna, que por ‘’coincidência’’ é azul como os na´vis.
A expressão ‘’I see you’’ (‘’Eu vejo você’’) - faz a cena emocionante e arrancou suspiros das adolescentes que consideravam um ‘’Eu te amo’’ dos na´vis - na verdade diz respeito ao olhar o outro na sua integridade, sentir o outro, colocar-se no lugar do outro. Não deixa de ser uma palavra de amor, mas é mais do que trocas de palavra de um casal apaixonado, carrega a filosofia hindu de respeito ao próximo e à natureza como um todo.
Ainda sobre o hinduísmo:‘’Sobre a religião Hindu, é dito que ela é como uma grande árvore, com numerosos braços que representam as várias escolas do pensamento religioso. A árvore é enraizada no rico solo dos Vedas e dos Upanishads.’’ http://natyalaya.webs.com/filosofiahindu.htm
Árvore bem representada em Avatar, pois concentrava toda a espiritualidade e harmonia de Pandora e o minério cobiçado estava na sua raiz.
Existem semelhanças com os nossos índios também, desde aspectos antropológicos do contexto social de organização, relação com a natureza e até mesmo semelhanças físicas e adornos dos índios quase idênticos aos indígenas. A luta dos índios com os brancos, os interesses embutidos...
Há quem diga que os nossos índios são os na´vis de pandora. Segundo Cameron, ‘’Foram criados para expressar a nobreza e a beleza daqueles que são naturais e fiéis a sua cultura, aí incluídos alguns povos da Amazônia. Acreditam que estão conectados a todos os seres viventes- árvores são seus irmãos, e energia vital é somente emprestada e um dia devolvida a terra’’.
Mas nas entrelinhas do filme, percebe-se muito mais preceitos de Krishna que pajelanças indígenas.
Com certeza Avatar não conseguiu seu sucesso de bilheteria por conter filosofias religiosas, mas pelo apelo da mídia, expectativa e a considerável criatividade do cineasta aliada a tecnologia cinematográfica que é indiscutível, mesmo que o enredo não seja um dos mais fortes.
*Estudante do curso de Letras /Francês- UFPA
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| Krishna ainda bebê, dorme numa folha como os na´vis. |
Bibliografia

Avatar tem uma história, no mínimo, curiosa.
ResponderExcluirExiste um certo “Clube dos Nerds” em Hollywood, encabeçado por George Lucas, Steven Spielberg, James Cameron, que certo Peter Jackson se tornou integrante logo depois do OSdA: O Retorno do Rei.
Quando o Lucas disse que faria uma nova trilogia de Star Wars, Cameron ficou calado. Veio Ameaça Fantasma, de 1999, Lucas zoando Cameron e este, calado. Veio Ataque dos Clones (que só valeu pela origem do Boba Feet e pela luta do Yoda com o Dooku), de 2002 (junto com OSdA: As Duas Torres) e Lucas falando pelos cotovelos dos efeitos especiais e o Cameron, nada. 2005 e A Vinganca dos Sith, considerado muito erroneamente) melhor do que O Império Contra-Ataca (de Irvin Keshner, de 1980) fechou a primeira trilogia, mesmo com a origem o vilão mais famoso de todos os tempos – Darth Vader.
E Cameron, calado.
Quatro anos depois, James Francis Cameron vem com os dois pés no meio do peito de toda a industria cinematográfica com Avatar e seus efeitos especiais absurda e doentiamente lindos, deixando Lucas e Spielberg de boca aberta (o vídeo em que os dois ficam boquiabertos vendo a “película” é impagável)!
A história não é aquela coisa de OSdA (eu sou suspeito demais pra falar!), mas foi o Cameron que fez. E como ele fez antes os dois primeiros O Exterminador do Futuro e o absurdamente belissimamente incrível O Segredo do Abismo, o fantástico True Lies, os CLÁSSICAÇOS SUPREMOS Aliens: O 8º Passageiro e Aliens: o Resgate, deixa quieto.
Bem, sendo assim, Cameron (com exceção total de Titanic), ainda é Cameron.
att,
Rafael Alexandrino Malafaia,
Também Quilômetros-a-Pé,
Theurge Andarilho do Asfalto Fostern
Avatar é um grande avanço de todas as tecnologias cinematográficas de todos os tempos sem sombra de dúvidas Avatar merece o melhor comentário que se pode oferecer. Fico ansioso esperando que outro filme com esse calibre torne a ocupar as peliculas cinematográficas. Postado por Wilson Lobato ás 9hl3 em 29/09/10.
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