quarta-feira, 22 de setembro de 2010

JUSTICEIRO - ZONA DE GUERRA

por Rafael Alexandrino Malafaia*

Prepare seu estômago porque este filme não é dos mais fáceis. Na verdade, a priori nenhuma adaptação de quadrinhos para o cinema é fácil de engolir logo de cara. E a mesma coisa acontece com Justiceiro: Zona de Guerra, da americana Lexi Alexander, de 2008.
Depois da trilogia dos X-Men e do Homem-Aranha, não se tornou nada costumeiro ver essa quantidade de violência em uma adaptação deste tipo, mesmo após as duas bombas anteriores, com Dolph Lundgren (de 1988, de Mark Goldblatt) e Thomas Jane (de 2004, de Jonathan Hensleigh) interpretando o vigilante urbano mais casca-grossa das HQ’s. agora, o ator até agora desconhecido no Brasil Ray Stevenson assume o papel de Frank Castle e promete não decepcionar.
Sinceramente, a película vai dividir opiniões, devido à diretora não esconder a influência assumida da fase Garth Ennis (considerada a melhor do personagem) e não dar o devido valor ao principal coadjuvante do “Caveira”, Linus Lieberman, vulgo Microchip. Todavia, quem se decepcionou com as obras anteriores, pode se sentir aliviado e assistir sem medo, porque é satisfação garantida. Nada acontece por acaso e a violência gratuita acontece quase a todo instante. Se você gosta de armas e balas e ossos quebrados e sangue – muito – sangue, este é seu filme.
Desta vez, não há nenhum vilão criado para o filme – o “super boa praça” Retalho e sua eterna vingança contra o veterano do Vietnã. E ele é mau, muito mau, chegando até mesmo a roubar a cena em muitos momentos. Atrevo-me a dizer que o ponto baixo do filme seja seu irmão “desmiolado”, todavia não menos violento (a cena da luta no banheiro já é antológica), mas nada que chegue a prejudicar tanto a obra (sim, a dupla de policiais é retirada da fase Garth Ennis, da época da Grandes Heróis Marvel do final da década de 1990 – até algumas cenas são retiradas desta fase).
Ray Stevenson e Dominic West estão muito longe de ter a química de Michael Keaton e Jack Nicholson, mas caracterizam perfeitamente seus papeis, com todos os trejeitos dos personagens, tornando-o algo mais do que só um filme se super-heróis.
Não termine de ver o filme. Os extras dão muito mais sabor ao filme, ainda mais que mostram todo o projeto de preparação do mesmo, desde o treinamento militar do protagonista até a escolha das armas e das cores utilizadas para criar o clima das cenas.

* Rafael Alexandrino Malafaia é leitor voraz de HQ’s e qualquer coisa sobre literatura fantástica, jogador e narrador de RPG, blogueiro do http://mundodoeuvadio.blogspot.com/, além de ser o contista e poeta mais pretensioso da história da literatura – além de aluno de Letras: Licenciatura em Língua Alemã na UFPA nos raros momentos de folga.

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